Estou gastando muito com o chiller antigo. Devo substituí-lo?

A troca de centrais de água gelada (popularmente conhecidas no mercado como “chillers”) deve ser objeto de um estudo técnico e financeiro detalhado, que não deve ser feito por uma pessoa com pouca experiência.

Existem ferramentas e softwares sofisticados para fazer este estudo e recomendamos que seja utilizado um deles. No entanto, não é preciso comprar o software ou pagar uma consultoria para fazer tal estudo: quase todos os fabricantes de chillers fazem  tais cálculos para possíveis clientes com interesse em substituí-los. Um exemplo é a Carrier com o Engineering Economic Analysis.

Nosso objetivo nesse artigo é mostrar quando você deve cogitar de fazer esse estudo e o que levar em conta antes de fazê-lo.

Caso o seu chiller tenha mais de 20 anos ele já é um candidato natural à substituição. Equipamentos com esta idade, em geral, apresentam um alto grau de obsolescência e um desgaste considerável de seus componentes (controles, tubulações, compressores, etc). Também já deve estar inteiramente depreciado, conforme a legislação do Imposto de Renda (dez anos).

Substituir um chiller antigo requer um estudo técnico e financeiro complexo

Substituir um chiller antigo requer um estudo técnico e financeiro complexo

Não parta do pressuposto que você deve trocar o seu atual chiller por outro de mesma capacidade: em geral, os antigos encontram-se superdimensionados! Existem diferentes razões para isso: projeções de crescimento da necessidade de refrigeração na época que foram instalados, menor eficiência energética, comissões mais elevadas para os vendedores que vendem chillers de maior capacidade (e mais caros), etc. Além disso, as instalações físicas podem ter mudado bastante desde a época da instalação.

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Preciso trocar um compressor e ele não é mais fabricado ou vendido

Os compressores ficaram mais confiáveis já faz alguns anos. Mesmo assim continuam dando defeito. Por isso, o técnico de refrigeração com alguma frequência se depara com a necessidade de substituí-los. Mas, dependendo da idade do equipamento ou sistema, pode acontecer do compressor original não estar mais sendo comercializado. O que fazer?

Esse problema irá ocorrer cada vez com mais frequência porque os fabricantes de compressores estão continuamente desenvolvendo seus produtos pelos seguintes motivos:

  • reduzir seus custos de produção e, por consequência, reduzir o preço ao consumidor final;
  • melhorar a eficiência energética dos seus compressores, uma questão central em todo o mundo hoje em dia; ou
  • incorporar avanços tecnológicos ao mesmos, demandados pelos consumidores.

Com o desenvolvimento, alguns modelos deixam de ser produzidos. No entanto, isso não é motivo para o técnico de refrigeração deixar de consertar o equipamento do cliente ou, pior ainda, condená-lo.

Os compressores são feitos para determinadas aplicações (usos). Ainda que um modelo antigo não esteja mais sendo produzido, é muito provável que os fabricantes tenham modelos mais modernos para a mesma aplicação.

O que o técnico de refrigeração tem que levar em conta ao precisar substituir um compressor que não está sendo mais fabricado por outro mais moderno são os seguintes aspectos:

  • faixa de temperatura de evaporação;
  • fluído (gás) refrigerante utilizado;
  • capacidade do sistema de refrigeração
  • tensão (“voltagem”) e frequência (50 ou 60 Hz) da rede elétrica;
  • torque de partida

Vamos ver cada um dos aspectos acima com mais detalhes:

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Curso de refrigeração: invista para o futuro e não para o passado

Um dos assuntos que mais levam os leitores a entrar em contato com o Portal da Refrigeração é quanto à indicação de cursos de refrigeração. Realmente existe muita gente interessada em se tornar técnico de refrigeração devido às boas perspectivas que o mercado de trabalho oferece.

Para a área de refrigeração, essas perspectivas devem continuar positivas por muito tempo devido a vários fatores, entre eles:

  • Embora existam muitas controvérsias entre os cientistas, a impressão que temos é que as temperaturas estão aumentando quando comparamos as estações desse ano com as mesmas de anos passados. Mais calor, maior necessidade de equipamentos de refrigeração;
  • O Brasil ainda é um país em que grande parte da população tem baixo poder aquisitivo, o que limita sua capacidade de comprar ar-condicionados, splits, geladeiras mais sofisticadas e econômicas (inverters, por exemplo). Assim que o país retome o crescimento econômico, com mais renda disponível para a população, ocorrerá um natural crescimento na venda de equipamentos;
  • O aumento recente do custo eletricidade torna viável a troca de equipamentos antigos, menos eficientes em termos de consumo de energia.

 O aumento do número de equipamentos, bem como a troca por outros mais eficientes  e a necessidade de instalação e manutenção que sempre existirão, torna bastante atrativa a profissão de técnico de refrigeração.

No entanto, antes de procurar um curso técnico de refrigeração para aprender os fundamentos da profissão é preciso que você entenda as mudanças que estão ocorrendo nela. Não adianta investir em um curso voltado para o passado quando as oportunidades estão no futuro! Continue reading…

 

O Ar condicionado e o fim anunciado do gás R22 – o que fazer

Devido a destruição da camada de ozônio pelos gases HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), dos quais o R22 faz parte, os países que assinaram o Protocolo de Montreal, incluindo o Brasil, decidiram abolir gradualmente, até 2040, o uso desses gases.

Apesar do prazo parecer longo, a verdade não é bem assim: nos países desenvolvidos, por exemplo, o uso em equipamentos novos está proibido desde 2004, com severas restrições a importação ou aquisição do R22. Nada impede que os países, por acordo, ou individualmente, adiantem esse prazo.

Esse cenário levou a uma redução da produção do R22, encarecendo o preço do produto, o que pode ser visto quando vamos comprar o gás nos fornecedores de refrigeração. Além disso, é crescente a burocracia como a necessidade de estar cadastrado no IBAMA para poder comprar o gás.

Para dar uma noção do tamanho do problema, estima-se que apenas o setor de serviços (manutenção de aparelhos e sistemas) utilize uma média mensal de 900 toneladas. E do total de R22 utilizado no mercado, apenas 10% são recolhidos e reciclados.

Por isso é preciso ter alternativas quando ficar inviável o uso do R22. Traçamos algumas abaixo, que irão lhe facilitar:

 

Ainda dá pra usar o R22 mas cuidado com a qualidade

Que os preços estão gradualmente subindo, percebemos ao comprar o R22. Mas é uma alta de preços que ocorre principalmente entre os produtores de gás refrigerante tradicionais e reconhecidos no mercado.

Por outro lado, vários fabricantes, principalmente da Ásia, percebendo a oportunidade, passaram a oferecer R22 com um preço bastante inferior ao normalmente encontrado.

Embora na Ásia a mão-de-obra realmente custe muito mais barato, o quanto esse preço inferior do R22 pode ser atribuído a esse custo menor ou a falta de qualidade (não atendimentos a especificações como pureza, por exemplo) gera dúvidas.

Cuidado com a qualidade de certos gases R22 comercializados no mercado

Cuidado com a qualidade de certos gases R22 comercializados no mercado

Não estamos dizendo para não usar o R22 desses fornecedores mas, ao aparecerem problemas em equipamentos que foram carregados com R22 “mais barato”, desconfie que pode ser a qualidade do gás.

 

R422d no lugar de R22

É a substituição que gera menos impacto no sistema de refrigeração e no compressor. Isso ocorre porque o R422d tem propriedades muito similares ao R22, permitindo o uso do mesmo compressor, sistema elétrico e óleo lubrificante.

Utilizando o mesmo compressor vai ocorrer uma diminuição da capacidade de refrigeração entre 5 a 15%, dependendo da aplicação. Por outro lado, como a temperatura de descarga do compressor cai, a severidade de funcionamento diminui, o que contribui para aumentar a vida útil do compressor.

Alguns pequenos ajustes precisam ser feitos:

  • No evaporador e condensador não há alterações;
  • Também no capilar nada deve mudar – apesar de ser possível ocorrer uma redução da temperatura de evaporação;
  • Se o sistema utilizar válvula de expansão, podem ser necessários pequenos ajustes no número de voltas;
  • Por fim, a carga de gás deverá ficar entre 85 e 95% da carga original de R22

Essa é a opção número 1 para a substituição do R22.

 

R404A no lugar de R22

Como os equipamentos abastecidos com R22 utilizam óleo mineral na lubrificação e os abastecidos com R404A utilizam óleo poliol-éster, substituir um gás pelo outro obrigatoriamente precisa que seja feita uma limpeza do sistema com o R141b.

Será necessário trocar o compressor que, tem dimensões aproximadas do original, de R22.

A corrente dos equipamentos pode subir ou descer, dependendo do aparelho.

Além disso, alguns ajustes também precisam ser feitos:

  • No evaporador e condensador normalmente não há alterações;
  • No tubo capilar também, normalmente, não há mudança. Se houver, será o aumento do comprimento do capilar de modo a aumentar a restrição de entrada de gás no evaporador;
  • Na válvula de expansão, se for necessário, devem ser feitos alguns ajustes no número de voltas, de forma a atender o desempenho desejado;
  • Já em relação a carga de gás, é comum ocorrer um aumento de até 10% em relação a carga de R22.

 

R134A no lugar de R22

Também é preciso realizar a limpeza do sistema com o R141b devido a incompatibilidade dos tipos de óleos lubrificantes utilizados.

Como ocorre um sensível aumento do deslocamento de gás (cerca de 45%) quando se compara um compressor para R134a e um para R22, dependendo das instalações físicas, pode ser inviável fazer essa substituição pois será necessário trocar o compressor e o de R134a tem dimensões maiores.

Fora a possível limitação física de espaço para o compressor, vários outros ajustes precisam ser feitos:

  • Pode ser necessário aumentar o tamanho do evaporador para ter mais área de troca de calor em aplicações de média e alta temperatura;
  • Necessário alterar o tubo capilar, diminuindo seu diâmetro interno e aumentando o cumprimento
  • Quando se usa válvulas de expansão será necessário trocar o modelo para um que seja compatível com o R134a;
  • A carga de gás normalmente aumenta de 15 a 20% em relação a original.

Como as mudanças para o uso do R134a no lugar de R22 são maiores, na prática poucos equipamentos e instalações devem fazê-la.

 

 

R134a, cuidado com a qualidade do gás

O mercado brasileiro de gases para refrigeração foi “inundado” por novos fornecedores, que oferecem preços muito mais baratos do que o de fabricantes tradicionais como a DuPont.  No entanto muitos desses gases são de péssima qualidade, contendo até mesmo misturas de gases explosivos, com graves riscos de acidentes, além de aumentarem o consumo de energia.

Aumento do consumo de energia devido ao R134a impuro Continue reading…