Curso de refrigeração: invista para o futuro e não para o passado

Um dos assuntos que mais levam os leitores a entrar em contato com o Portal da Refrigeração é quanto à indicação de cursos de refrigeração. Realmente existe muita gente interessada em se tornar técnico de refrigeração devido às boas perspectivas que o mercado de trabalho oferece.

Para a área de refrigeração, essas perspectivas devem continuar positivas por muito tempo devido a vários fatores, entre eles:

  • Embora existam muitas controvérsias entre os cientistas, a impressão que temos é que as temperaturas estão aumentando quando comparamos as estações desse ano com as mesmas de anos passados. Mais calor, maior necessidade de equipamentos de refrigeração;
  • O Brasil ainda é um país em que grande parte da população tem baixo poder aquisitivo, o que limita sua capacidade de comprar ar-condicionados, splits, geladeiras mais sofisticadas e econômicas (inverters, por exemplo). Assim que o país retome o crescimento econômico, com mais renda disponível para a população, ocorrerá um natural crescimento na venda de equipamentos;
  • O aumento recente do custo eletricidade torna viável a troca de equipamentos antigos, menos eficientes em termos de consumo de energia.

 O aumento do número de equipamentos, bem como a troca por outros mais eficientes  e a necessidade de instalação e manutenção que sempre existirão, torna bastante atrativa a profissão de técnico de refrigeração.

No entanto, antes de procurar um curso técnico de refrigeração para aprender os fundamentos da profissão é preciso que você entenda as mudanças que estão ocorrendo nela. Não adianta investir em um curso voltado para o passado quando as oportunidades estão no futuro!

O técnico de refrigeração do passado e o de hoje/ amanhã

Até por volta  de meados da década de 90, para ser um “mecânico de refrigeração” (e não um técnico) era preciso ter apenas noções básicas de mecânica e elétrica, que em geral, eram aprendidas na prática. Era a época do “meio-oficial” que, além de carregar a mala do mecânico, ia aprendendo na prática, até começar a instalar e consertar aparelhos por conta própria. Muitos dos bons profissionais que hoje existem começaram assim. Mas também não podemos nos esquecer da grande quantidade de “mechânicos” que existiam – aqueles que achavam que sabiam e desandavam a fazer besteiras com os aparelhos dos clientes, muitos até mesmo de má fé.

Essa situação começou a mudar com o crescimento da venda de ar condicionados do tipo split, que inegavelmente requerem maior conhecimento técnico tanto na instalação quanto na manutenção. Já não basta mais apenas colocar o aparelho no buraco da janela, agora é necessário passar tubulações, dar vácuo, colocar a carga de gás correta, fazer corretamente a interligação elétrica das unidades, etc.

Hoje considera-se que um bom técnico de refrigeração precisa ter os seguintes conhecimentos e talentos:

Conhecimento

  • Eletrotécnica e comando elétricos (contactores, quadros elétricos, etc);
  • Básico de eletrônica suficiente para medir capacitores, resistores, etc;
  • Solda em cobre e alumínio;
  • Normas de segurança no trabalho;
  • Conservação do meio ambiente;
  • Física (para vácuo e carga de gás), Química (para lidar corretamente com os diferentes tipos de gases) e Matemática (para calcular materiais para certas instalações)
  • Mecânica, para lidar com os diferentes tipos de motores presentes em equipamentos de refrigeração;
  • Automação.

Talentos pessoais

  • Organização;
  • Raciocínio lógico;
  • Concentração;
  • Habilidades manuais;
  • Busca constante por novos conhecimentos;
  • Velocidade

Provavelmente nenhum técnico de refrigeração atual reúne todos os conhecimentos e talentos listados acima, mas quanto mais ele detê-los, melhor será o seu desempenho profissional.

Evolução dos equipamentos e sistemas de refrigeração

Hoje existe uma enorme variedade de equipamentos e sistemas de refrigeração que precisam ser instalados e sofrer manutenção: desde um pequeno bebedouro refrigerado por placas eletrônicas até sistemas de ar condicionado central.

Além da variedade, há um maior emprego de tecnologia nos equipamentos e sistemas, exigindo conhecimentos diferenciados na sua instalação e manutenção. Em equipamentos de supermercados, por exemplo, há um farto emprego de sensores em seus refrigeradores para alertar o responsável pela manutenção em caso de alguma falha, de modo a não causar prejuízos de milhares de reais com alimentos que deixaram de ser refrigerados corretamente.

O técnico de refrigeração precisará ter maiores conhecimentos no futuro.

Redução do custo dos equipamentos domésticos com diminuição do conserto deles

Embora ainda caros quando comparados os preço do Brasil com o de outros países, os equipamentos de refrigeração domésticos (ar condicionados, splits, refrigeradores, bebedouros, etc.) estão barateando de preço.

A queda nos preços aliada a maior disponibilidade de informações pela internet está mudando a atitude das pessoas antes de se decidir por reparar um equipamento: agora pesquisam o preço do novo e comparam com o custo do conserto.

Muita gente deixará de consertar. Já é uma tendência em ar condicionados de janela, pois um compressor novo pode custar mais da metade de um aparelho novo, fora a mão-de-obra do técnico!

As maiores oportunidades para os técnicos de refrigeração estarão na refrigeração comercial.

O aumento da remuneração dos técnicos de refrigeração

Equipamentos mais complexos, clientes com necessidades muito específicas,  tudo isso contribuirá para os bons técnicos de refrigeração comercial vejam um aumento substancial em sua remuneração.

Não podemos nos basear em dados do Brasil, pois há muita informalidade no mercado. Mas para dar uma noção do padrão de rendimento que um técnico poderá esperar utilizaremos o resultado de uma pesquisa feita pelo site Career Overviem, norte-americano:

  • Um técnico de refrigeração norte-americano ganha, em média, US$ 19 a hora ( R$ 66,50);
  • Em um ano recebe aproximadamente US$ 40 mil (R$ 140 mil)

Nem todos os técnicos de refrigeração brasileiros receberão perto desses números, pois a economia dos países é diferente, mais quanto maior for a sua competência mais próximos deles estarão.

E qual curso de refrigeração devo escolher?

Chamamos atenção para as mudanças que estão ocorrendo e que afetarão cada vez mais os técnicos de refrigeração. Você deve procurar lucrar com tais mudanças.

Existe uma grande oferta de cursos de refrigeração no mercado. Comece por eliminar os que pouco servirão:

  • Cursos voltados para ensinar a instalação de aparelhos domésticos – as maiores oportunidades estarão na refrigeração comercial e não na doméstica;
  • Cursos com pouca parte prática;
  • Cursos voltados para apenas um equipamento.

O ideal é que você tenha uma boa base escolar, tendo concluído até o segundo grau. Se esse não for o seu caso, pense seriamente em voltar a estudar. E de preferência para um curso técnico como eletrotécnica, por exemplo.

Lembre-se que você não vai encontrar um bom curso que dure menos de três meses, E que, infelizmente, ele também não será barato.

Outra coisa importante é que nenhum curso ensinará tudo o que você precisa: você aprenderá muito mais buscando o conhecimento para resolver os problemas com que irá se deparar no dia-a-dia.

3 thoughts on “Curso de refrigeração: invista para o futuro e não para o passado

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*