R134a, cuidado com a qualidade do gás

O mercado brasileiro de gases para refrigeração foi “inundado” por novos fornecedores, que oferecem preços muito mais baratos do que o de fabricantes tradicionais como a DuPont.  No entanto muitos desses gases são de péssima qualidade, contendo até mesmo misturas de gases explosivos, com graves riscos de acidentes, além de aumentarem o consumo de energia.

Aumento do consumo de energia devido ao R134a impuro

O gás R134a de má qualidade não atende às especificações técnicas requeridas pelos equipamentos de refrigeração. Uumidade, outros tipos de gases e até mesmo partículas sólidas como poeira, por exemplo, podem estar presentes.

Devido à má qualidade do R134a, para atingir a temperatura necessária à refrigeração, o equipamento gasta mais energia na compressão do gás.

O aumento do consumo de energia que já é ruim está associado a um aumento na quantidade de defeitos que os equipamentos apresentam além de uma redução acentuada na sua vida útil.

O consultor brasileiro Amaral Gurgel, palestrante de cursos nas áreas de refrigeração e ar condicionado, alerta que no Brasil há um aumento anormal da quebra de compressores e que em alguns casos, ao invés de se encontrar o gás R134a, tem-se a presença de R-22, R-30 ou R-40.

 Acidentes fatais devido ao gás R134a impuro

Além do aumento do consumo e da redução da vida útil dos equipamentos, o gás refrigerante pode provocar graves acidentes, até mesmo fatais.

Alguns fabricantes tem um padrão de qualidade tão ruim na produção de R134a que ele pode conter até misturas de gases explosivos, transformando o equipamento de refrigeração em uma verdadeira bomba.

O caso mais marcante de acidente devido à má qualidade do gás refrigerante aconteceu com containers refrigerados da empresa Maersk Line em agosto de 2012. Quatro deles explodiram sem motivo aparente, um deles na cidade de Itajaí, Santa Catarina. Dois que explodiram no Vietnã vitimaram dois trabalhadores.

A perícia feita nos containers encontrou vestígios de R-40, conhecido também como cloreto de metila ou cloro metano.  O R-40 já foi usado como gás refrigerante, mas, devido à toxicidade e alta inflamabilidade, foi descontinuado pela indústria.

Como o ponto de ebulição do R-40 é semelhante ao R134a, torna-se muito difícil detectar sua presença quando está misturado ao R134a em um sistema.

R134a impuro diminui o rendimento de equipamentos de refrigeração e pode causar acidentes

O mercado brasileiro foi inundado com novos fabricantes de R134a

 Como o gás R134a tem um peso elevado nos custos de algumas empresas que fazem reparos em equipamentos de refrigeração, é natural que elas procurem fornecedores com preços mais em conta. Mas ao fazer isso elas devem levar em conta os seguintes aspectos:

  • Desconfie de preços muito baixos; mesmo a mão-de-obra asiática tem custo…
  • Fique atento à quantidade de gás indicada na embalagem e ao peso real: muitas vezes, no caso de R134a de má qualidade, o que está registrado no rótulo não corresponde a real quantidade de fluido refrigerante dentro do cilindro;